A Fábula que virou tragédia

Era uma vez um crime organizado. Aquele que habitava as entranhas do submundo, escondido nos becos, nos presídios e nas sombras da clandestinidade. Como nas velhas histórias de alquimia, em que homens atravessavam séculos à procura da Pedra Filosofal, nossos personagens também descobriram o segredo de transformar tudo em ouro. Os negócios prosperaram, os horizontes se ampliaram e suas ambições logo ultrapassaram os limites da marginalidade.

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As histórias têm o curioso poder de se transformar dependendo de quem as conta. Afinal, basta mudar o narrador que o herói ganha chifres, o vilão descobre um trauma de infância e um deles subitamente assume a cadeira presidencial. No Brasil, onde política e ficção dividem o mesmo roteiro, ambos trocam de papel como quem troca de figurino. E o vilão, coitado, já não precisa nem morrer no último ato. Passou por um rebranding cultural, ganhou contexto, justificativas, estética, dinheiro, poder e uma legião de admiradores.

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