A Fábula do 22 — Entre o Mito e o Grande Irmão

As histórias têm o curioso poder de se transformar dependendo de quem as conta. Afinal, basta mudar o narrador que o herói ganha chifres, o vilão descobre um trauma de infância e um deles subitamente assume a cadeira presidencial. No Brasil, onde política e ficção dividem o mesmo roteiro, ambos trocam de papel como quem troca de figurino. E o vilão, coitado, já não precisa nem morrer no último ato. Passou por um rebranding cultural, ganhou contexto, justificativas, estética, dinheiro, poder e uma legião de admiradores.

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A Fábula do 13 — Era uma vez o amor, a picanha e a democracia

Toda nação tem suas fábulas. Algumas são habitadas por fadas, elfos, cavaleiros e princesas. A nossa, por Saci-Pererê, Mula sem Cabeça e políticos que, de tempos em tempos, ascendem à categoria de criaturas mitológicas. No Brasil, personagens de carne e osso rapidamente adquirem poderes sobrenaturais: salvadores viram lendas, adversários se transformam em monstros e fatos inconvenientes evaporam com a naturalidade de uma maldição contada na varanda.

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