No documentário “Surveillance Capitalism”, Shoshana Zuboff explica que o chamado capitalismo de vigilância surgiu quando empresas de tecnologia, lideradas pelo Google e depois pelo Facebook, passaram a extrair não apenas dados necessários para melhorar serviços, mas também os chamados “excedentes comportamentais” — informações adicionais sobre hábitos, emoções e preferências dos usuários. Esses dados alimentam os futuros mercados, nos quais empresas vendem previsões sobre o que faremos, permitindo direcionar anúncios, manipular escolhas e até condicionar comportamentos em larga escala. Zuboff chama esse novo poder de “instrumentarian power”, distinto do totalitarismo clássico: em vez de controlar pela repressão, controla-se pela coleta invisível e pelo direcionamento de estímulos digitais. Para ela, esse processo representa um verdadeiro golpe das Big Techs, pois foi imposto sem debate público, corroendo privacidade, autonomia e democracia.

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Autor: Debora Cristina Haddad
Jornalista pela FIAM e pós-graduada em Psicologia Positiva pela PUC-RS






