Desde o início de sua existência, a humanidade lutou em guerras. A princípio, essas guerras foram realizadas em terra, mas depois foram expandindo-se para o mar, céus e espaço. Há algum tempo, essas batalhas saíram do epicentro cinético e adentraram o mundo vasto das ideias. O armamento bélico de antigamente foi substituído pelo armamento psicológico. Não há mais carnificina, apenas o embate de histórias distorcidas. A inovação que a guerra cognitiva traz é atuar nos bastidores da mente.
Estamos vivendo a era da personalização em massa. Somos vulneráveis à customização de várias modalidades de comunicação e informação online, executada por meio do uso de diferentes plataformas. Essa manipulação cognitiva é realizada através de coberturas tendenciosas e partidárias, com o único intuito de recrutar seguidores e polarizar pessoas. Mensagens, crenças e opiniões, podem ser sugestionadas, persuadidas e alteradas por “vantagens cognitivas”. Sem imposição ou coerção, seu receptor está ciente desta invasão mental racionalmente.
Se a razão está ciente, o que foge aos olhos é a invasão inconsciente. A real intenção da guerra cognitiva é “hackear” a mente dos humanos através das vulnerabilidades do cérebro. A Inteligência Artificial em conjunto com narrativas distorcidas podem usufruir dessa “engenharia social” para reformatar o homem, e, assim, recrutá-lo.
O condicionamento humano é uma estratégia de guerra muito antiga para se obter aquiescência e submissão. Uma das principais ferramentas para o condicionamento humano é a simbologia. O mundo é repleto de símbolos, e esses símbolos condicionam a população numa esfera inconsciente.
A simbologia do olho
A simbologia do “O Olho Que Tudo Vê”, por exemplo, está engendrada como símbolo de vigilância em nossa sociedade desde os primórdios. Os sumérios, considerados a primeira civilização do mundo, fizeram esculturas de suas santidades, aumentando significativamente os olhos para acentuar o senso de patrulha. O “Olho Que Tudo Vê” também pode ser rastreado até o olho de Hórus, da mitologia egípcia. Símbolo de prosperidade, proteção e cura, o olho de Hórus vem sendo estudado e, em nova pesquisa, especialistas indicam que esse símbolo tem uma conexão surpreendente com a anatomia do sistema nervoso do corpo humano, que vai além do sentido visual. Segundo o estudo conduzido pela National Library of Medicine, este símbolo tem uma conexão surpreendente entre estrutura e função do sistema nervoso. Partes do Olho quando sobrepostas a imagem de um cérebro, parecem representar a localização anatômica de cada sentido humano.
Nas igrejas, o “Olho de Deus” simboliza a vigilância divina e lembra que nenhum pecado passará despercebido. Um exemplo alegórico dessa representação pode ser encontrado na obra “Ceia em Emaús”, do renascentista Pontormo. Entre os séculos XVII e XIX, o Olho da Providência foi frequentemente incorporado em afrescos ou esculturas acima do altar-mor, geralmente dentro de um triângulo com raios de luz, representando a onisciência e a presença constante de Deus. Em templos com influência maçônica ou projetados por arquitetos associados a essa tradição, o símbolo aparece de forma mais discreta, inserido em ornamentos, relevos ou outros detalhes arquitetônicos.
Em 1782, Thomas Jefferson, Benjamin Franklin e John Adams adotaram o simbolismo do “Olho da Providência” no verso do Grande selo dos Estados Unidos, o que foi interpretado como a representação da Divina Providência e sinal da vigilância compassiva de Deus sobre a humanidade. Esse símbolo é fortemente enraizado no inconsciente coletivo das massas, pois está impresso na nota de dólar americana. Pode-se dizer que essa é uma referência estranha e chamativa para um símbolo de controle subliminar do Estado. Por conta da imagem heterogênea do olho com a pirâmide, algumas teorias associam esse atributo místico da moeda à Maçonaria.
Em 1782, Thomas Jefferson, Benjamin Franklin e John Adams adotaram o simbolismo do “Olho da Providência” no verso do Grande selo dos Estados Unidos, o que foi interpretado como a representação da Divina Providência e sinal da vigilância compassiva de Deus sobre a humanidade. Esse símbolo é fortemente enraizado no inconsciente coletivo das massas, pois está impresso na nota de dólar americana. Pode-se dizer que essa é uma referência estranha e chamativa para um símbolo de controle subliminar do Estado. Por conta da imagem heterogênea do olho com a pirâmide, algumas teorias associam esse atributo místico da moeda à Maçonaria.
Existem milhares de outros símbolos ao redor do mundo que usam a emblemática figura do olho. Pode-se dizer que um globo ocular representado isoladamente tem seu próprio impacto psicológico inerente, como um sinal de autoridade, que implica em um senso de vigilância constante. A figura do “olho” transmite o sentimento e a presença de algum tipo de fiscal autoritário do comportamento humano, como se vivêssemos em um Big Brother em massa.
A suástica
Outro símbolo muito poderoso e ambivalente é a suástica. A suástica, ou cruz gamada, foi inventada na Eurásia há 7.000 anos e representa o movimento do Sol no céu. A palavra em sânscrito significa “boa sorte”, um símbolo sagrado no hinduísmo, budismo e outras culturas do Oriente. Repleta de simbologias positivas, ela foi apropriada pelos Nazistas e subvertida em uma grande propaganda de guerra. A combinação de cores junto à suástica e algumas pequenas modificações em seu movimento, criaram um logotipo poderoso que representaria a “raça ariana”. Lamentavelmente, essa adaptação antissemita deu certo, e transformou a suástica numa marca permanentemente ligada ao Partido Nazista.
Hoje, essa dualidade simbólica da suástica provoca debates e reflexões: enquanto nas culturas orientais ela ainda mantém seu significado original e positivo, em muitas partes do mundo ocidental ela é vista quase exclusivamente como um símbolo de destruição e ódio, devido ao peso histórico da Segunda Guerra Mundial.
A evolução da simbologia
O uso da simbologia como forma de condicionar pessoas vem evoluindo a maneira que os meios de comunicação também evoluem. Os símbolos ainda fazem parte do condicionamento humano, já enraizados em nosso DNA. Quando adicionados ao poder da palavra proferida em forma de rezas e discursos políticos, se tornam verdadeiros paladinos de comportamento.
Segundo Joost Meerloo, a verborragia repetitiva transforma o ser humano no que a psicologia chama de “agnósticos de símbolos”. São pessoas impedidas de produzir qualquer ideia, capazes apenas de imitação, sem qualquer senso inquisitivo de objetividade, obscurecendo a perspectiva que leva ao questionamento e compreensão.
De acordo com Sir Arthur Stanley Eddington, astrônomo, físico e matemático inglês que foi um filósofo da ciência e um divulgador da ciência, a verdadeira matéria de que o mundo é feito é exatamente a tinta mental. Ela fala de “coisas da mente”. Não adianta perguntar o que a tinta ‘cobre’. Isso significa que seu mundo é exatamente do jeito que você o vê. Retire a pintura mental e você terá o behaviorismo e – em grande medida – sua herdeira, a Ciência Cognitiva. O universo das realidades é infinitamente mais rico que o universo da física.
O grande padrinho do condicionamento humano foi Ivan Pavlov, fisiologista russo nascido em meados do século XIX. Ao pesquisar porque os cães salivavam, Pavlov descobriu o reflexo condicionado. A descoberta de Pavlov representava perigo iminente, pois as pessoas poderiam explorar essa técnica para obter ganhos, adquirir seguidores e influenciar pessoas num limiar inconsciente.
O cognitivo das massas vem sendo manipulado de diferentes formas há milhares de anos. Os meios de condução da guerra cognitiva surgiram no século XX, como um tipo de operação militar. As técnicas eram postas em prática através de publicações impressas, longas-metragens, obras literárias e outros tipos de propaganda. Hoje, todos foram substituídos pela Internet, e dentro das redes até a publicidade está envolvida em um impacto sistêmico. Através deste impacto, os interesses de uma determinada pessoa são rastreados pela Inteligência Artificial. É como se deixássemos uma “pegada digital” que foi observada e rastreada pelo algoritmo. Neste momento, as necessidades e prioridades pessoais do usuário são direcionadas sem que ele perceba. Hoje, a batalha é pelo neurônio da população.
Embora muitos países não estejam preparados para táticas cognitivas de tal magnitude, a velocidade dos avanços tecnológicos vêm impulsionando a propagação desenfreada de informação. E este “boost” de informações vêm impactando no panorama geopolítico do mundo, sem causar uma guerra cinética e sim psicológica.
As guerras modernas são travadas em vários “espaços” ao mesmo tempo, acompanhadas de apoio a protestos políticos, coerção econômica e desinformação ativa. Portanto, as guerras modernas são chamadas de “híbridas”. Inicialmente esse método foi usado na Rússia, Ucrânia, Afeganistão e Cazaquistão, espalhando-se rapidamente para outras nações como China e Estados Unidos. Essa tecnologia consiste no impacto sistêmico na consciência das pessoas e em seu modo de pensar, modificando sua moralidade e compreensão do bem e do mal, com o objetivo de nutrir expectativas sobre governos, subverter processos democráticos, induzindo a desarmonias civis e movimentos dissidentes.
Os verdadeiros objetivos por trás da guerra cognitiva
Os principais propósitos da guerra cognitiva se concentram em substituir valores tradicionais pelos liberais. Deus e a família são substituídos pela Ciência e o Estado. A inexorável intenção é neutralizar conceitos de “nação”, “povo” e “dignidade”. Esses objetivos militares são promovidos através das ideias dos globalistas em forma de movimentos separatistas, como Black Lives Matters, Antifa, Movimento Verde e outros — muitos provenientes da cultura “Woke” que vem emergindo nos Estados Unidos e tomando proporções assustadoras.
Aqui no Brasil, essa guerra terá seu ápice neste ano de eleições. O clima de fraude e desconfiança nas eleições presidenciais de outubro permeia no ar. Pode haver fraude como pode não haver. Mas é certo que o campo de batalha será nas redes sociais. O nome do presidente Jair Bolsonaro já vem sendo associado pela grande imprensa a teorias extremas relacionadas ao nazismo e fascismo, sem nenhum embasamento. Essa foi a roupagem que lhe deram para assim dilapidar sua reputação e governo. Mas, o que muitos não sabem, é que os controladores dessas empresas formam uma nova raça no panorama político mundial — a dos milionários de esquerda. Segundo a matéria publicada na Revista Oeste, a cabeça desses oligarcas mandatários funciona assim: “Sua cabeça é uma espécie de Diário Oficial do que passa, hoje, por “pensamento” da esquerdagem gratuita: são, 24 horas por dia, contra o “racismo”, a “homofobia”, a “masculinidade tóxica”, a “desigualdade”, os “ricos em excesso”…”
Qualquer movimento do presidente é considerado por esta “esquerda caviar” como odioso e extremo, sempre ligado a um suposto “golpe” da Direita. Mas quando palavras de cunho agressivo e degradante são proferidas pela turma progressista, a narrativa soa normal e nunca é crucificada pela grande Mídia.
Em seu artigo “Por que torço que Bolsonaro morra” publicado pela Folha de São Paulo, o editor Hélio Schwartsman declarou de maneira impassível seu desejo pela morte do presidente. Disse que seria bom para o país que o presidente morresse (na época o presidente contraiu o vírus Covid-19): “Torço para que o quadro se agrave e ele morra”. Chega a ser sórdido seu fetiche pelo presidente.
Esta nova tribo, que prega o diálogo democrata, finge condenar a polarização, ignorando suas próprias palavras ofensivas. Em novo ataque aos opositores, a tropa do “ódio do bem” não hesitou em agredir os mortos. Caio Coppolla, em seu artigo referente à morte de Olavo de Carvalho, faz uma análise sobre esta incongruente contradição entre discurso e ação:
“Adeptos do ‘ódio do bem’ pregam um ambiente político tolerante e plural, mas nesse mundo teórico não haveria espaço para o comportamento deles mesmos”.
Caio Coppolla
Esta incoerência insustentável vale tanto para os influenciadores quanto para seus milhares de influenciados. O fatal destino do militante do ódio do bem, do qual ele não percebe, é que, ao espalhar esse ódio, ele se afasta inevitavelmente do bem que procura, atraindo mais animosidades e divergências.
Apesar de termos a impressão de estarmos vivendo a era do “politicamente correto”, seria coerente afirmar que estamos vivendo a era do “politicamente incorreto”, com a sinistra sensação de estarmos sendo vigiados e manipulados, só que desta vez não pelo “Olho que Tudo Vê”, mas por algo que não conseguimos ver. Este é o papel da guerra cognitiva.
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